sábado, dezembro 09, 2006

Festival de Cinema de Brasília 2006


Antes de continuar minha peregrinação européia, quero falar um pouco sobre minha passagem pelo Festival de Cinema de Brasília, onde estive entre os dias 25 e 28 de novembro (os quatro últimos do evento).

Foi legal, até pq foi minha primeira vez neste que é o evento cinematográfico mais antigo do país. E também interessante para perceber as diferentes deste com o Festival de Gramado. Enquanto na Serra Gaúcha é tudo festa e glamour, na Capital Federal o lance é bem mais sisudo, compenetrado. Nestes quatro dias consegui assistir a apenas 3 filmes (os premiados "Batismo de Sangue", melhor diretor para Helvécio Ratton, e o grande vencedor "Baixio das Bestas", de Cláudio Assis, além de "Hércules 66", documentário exibido fora de competição), mas deu para sentir que lá o negócio é mais embaixo. Não que seja melhor ou pior do que Gramado: é apenas outro foco. Na verdade, penso que um bom festival deveria conseguir reunir o melhor destes dois mundos: discussões sérias e muita atenção aos filmes em competição, como também bons momentos para o público, com artistas, celebridades e muita badalação.

Brasília é uma cidade muita estranha. Ninguém caminha nas ruas lá. Tudo é feito de carro, já que todos os lugares ficam muito distantes uns dos outros. Sendo assim, o Festival tinha que acontecer dentro de lugares fechados - no Hotel Nacional, onde fiquei hospedado e onde se encontrava tb praticamente TODO mundo que estava na cidade em função do festival, e no Cine Brasília, onde eram exibidos os filmes da mostra competitiva. Acho que, se eu encontrasse algum transeunte no outro lado da calçada e lhe perguntasse "Quando acontece o Festival de Brasília?", provavelmente a resposta que eu teria seria "Que festival?". Ou seja, o evento é só para os interessados, não para o grande público.

Confirmando isso, só estavam por lá os integrantes dos filmes concorrentes. Não tem aquele festival de celebridades e "membros da 'Malhação'", como acontece em Gramado. Como estava realizando a cobertura jornalística, para uma edição especial do Programa de Cinema (foi ao ar na última semana, com edição de Daniel Bacchieri, vcs assistiram?), tive a oportunidade de conversar com praticamente todos mundo que estava lá: Dira Paes, Matheus Nachtergaele, Cássio Gabus Mendes, João Miguel, Heitor Dhalia, Helvécio Ratton, Cláudio Assis, Caio Blat, Evaldo Mocarzel, Vladimir Carvalho, Silvio Tendler. Nenhuma surpresa, enfim. O Assis e o Blat foram os mais difíceis - o primeiro parecia estar sempre numa realidade paralela, enquanto que Blat era considerado "difícil" pela assessoria de imprensa (foi acusado de não comparecer a nenhuma das entrevistas pré-agendadas), mas consegui dois minutos com ele na noite da premiação - afinal ele é protagonista dos dois filmes mais premiados, "Batismo" e "Baixio".

Sobre os filmes? Olha, "Batismo" é bastante relevante, sério, intenso. Baseado no livro homônimo do Frei Betto, é sobre a participação de alguns frades no movimento guerrilheiro anti-militar na época da ditadura. Tem ainda no elenco Cássio, Daniel de Oliveira, Murilo Grossi, além dos gaúchos Júlio Andrade e André Arteche. Isso pq parte do filme se passa no RS - mesmo não tendo sido filmado no Sul. Mas os diálogos são muitos ruins, as cenas de tortura são em demasia e a trama demora um pouco para se fixar no que realmente interessa, que é a trajetória do Frei Titto (Blat). Mas merece ser visto. Já "Baixio" é para um público bem restrito. Tanto que, quando se anunciou o prêmio de Melhor Filme, metade da sala aplaudia e metade vaiava. Assis exagera no seu retrato da podridão humana no interior nordestino, e passa do ponto tão preciso que havia atingido em seu filme anterior, o excelente "Amarelo Manga". Algumas cenas de nudez, sexo e violência são gratuitas, enquanto que outras apresentam uma contundência por vezes revoltante, mas não menos necessária. Um longa para dividir opiniões e gerar polêmica, o que talvez afaste a discussão do que lhe verdadeiramente interessa.

Como não conhecia Brasília, valeu também pelo turismo. Com o carinho e a ajuda dos meus grandes amigos Adriana Timmers e Rafael Mônaco, pude conferir o melhor da cidade. Monumentos belíssimos, lógicas aparentemente estapafúrdias e muitos km de táxi marcaram minha passagem por lá. Ah, e tb a carne de sol, prato típico que encontrou em mim um apreciador. Quem sabe no ano que vem eu não repito a dose?

Um comentário:

Tom, um ser diferente... disse...

Olá Robledo,
Sou o Tom, de Recife, lembra?
Achei seu blog e adorei o que rola por aqui.
Estou morando em Brasília, e na sua passagem por aqui, o Daniel me avisou de sua presença na cidade e eu até cheguei a te ligar, mas por qualquer motivo, o celular deu desligado.
Brasília é uma cidade meio louca mesmo... Hehe... Mas depois que nos acostumamos com essa "lógica" carteziana, logo a gente pensa: "Meus Deus! Como eu vivia sem essa organização???"!! Hahahahaha.
Bom achar o seu espaço. Está convidado para me visitar!
Abraços,
Tom